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segunda-feira, 6 de abril de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Depressão pós-parto afecta um em sete pais

Depressão pós-parto afecta um em sete pais

Afastamento da companheira e tipo de profissão são factores de risco

00h30m

HELENA NORTE

Um em cada sete pais sofre de depressão pós-parto, prejudicando não só os cuidados que presta ao bebé como a qualidade da relação do casal. No Dia do Pai, o enfoque para um problema que se julgava exclusivo das mães.

Uma investigação realizada em Portugal demonstra que sofre mais quem é pai pela primeira vez, não tem rede de apoio e é alvo de pressões profissionais que dificultam o desempenho das tarefas parentais.

O estudo realizado pelo enfermeiro Aldiro Magano no Hospital S. Sebastião (Feira) comprova que a realidade portuguesa não destoa da tendência já documentada na investigação internacional: 15% dos homens apresentam sintomatologia depressiva após o nascimento de um filho. O que se julgava ser de natureza biológica e exclusivo do sexo feminino - a depressão pós-parto como consequência das oscilações hormonais no período puerperal - é, afinal, um fenómeno também vivido no masculino e que decorre de causas muito diversas.

A depressão pós-parto nas mães pode levar, nos quadros mais severos, a situações de negligência e abandono do filho. Embora não haja estudos conclusivos sobre os feitos da depressão no pai, sabe-se que prejudica os cuidados com que presta ao bebé e afecta significativamente o equilíbrio da mãe. "Se estiverem presentes outros factores de risco, a depressão do companheiro pode agravar a situação. É importante detectar precocemente estes casos", explica Mónica Fernandes, da Consulta de Psicologia da Maternidade Júlio Dinis, Porto.

Os sinais revelam-se, em regra, mês e meio depois do parto. É nessa altura que os pais começam a ressentir-se do cansaço, das mudanças na rotina e da falta de disponibilidade da mulher, explica Aldiro Magano. "Antes, não são relatadas grandes alterações na relação conjugal, mas, depois das seis semanas, começam a surgir queixas com a sobrecarga de tarefas domésticas e familiares e a falta de proximidade física com a esposa", acrescenta o enfermeiro.

As primeiras quatro a seis semanas são, aliás, uma fase crítica também para as mulheres. "É um período de adaptação, em que a mãe está a estabelecer uma relação de vinculação com o bebé. É natural que tenha menos disponibilidade para tudo o que não esteja directamente relacionado com o filho", sublinha a psicóloga.

As alterações hormonais, o cansaço pelas frequentes amamentações e restantes cuidados ao bebé, assim como a própria recuperação do parto (mais complicada quando houve cesariana), diminuem a libido e prejudicam a interacção com o companheiro.

O tipo de profissão parece ser também um factor de risco para o desenvolvimento de depressão pós-parto nos homens. O estudo de Aldiro Magano revelou que os pais com actividades profissionais mais diferenciadas e exigentes apresentam mais sinais de ansiedade, tristeza, cansaço, desconcentração, o que pode ser explicado pela maior dificuldade em conciliar o trabalho com a família.

Além da actividade profissional, a idade é outra variável directamente relacionada com esta problemática. Os homens mais jovens lidam pior com a paternidade, principalmente, quando a gravidez não foi planeada.

A boa notícia é que, embora possa manter-se durante 12 meses, a depressão pós-parto tende a suavizar com o tempo e, na maioria dos casos, desaparece completamente. O follow-up aos casais estudados por Aldiro Magano demonstra que os níveis de depressão diminuíram significativamente.


Fonte: JN


Pais modernos mostram "que o carinho e a ternura não têm rosto"

Pais modernos mostram "que o carinho e a ternura não têm rosto"

Regional2009-03-19 08:30

No Dia do Pai, que se assinala esta quinta-feira, são ainda muitas as fronteiras culturais e sociais que os pais modernos ultrapassam para entrarem em domínios que são considerados destinados apenas às mulheres, entre eles, a proximidade íntima e educativa com os filhos.(Com vídeo)
No século passado a figura do pai era vista como alguém ausente, autoritária, que sustentava a família e que apenas falava com os filhos para os castigar.

Actualmente, esta imagem parental tem vindo a ser desconstruída, progressivamente. De acordo com a socióloga Piedade Lalanda, "no século XXI, surge um pai amoroso e meigo e que cada vez mais reconhece a importância disso."

Contudo, a especialista também faz questão de realçar que estatísticas de alguns trabalhos recentes sobre a divisão das tarefas domésticas, mostraram que o peso dos pais que cuidam dos filhos e que ajudam em casa, não é ainda maioritário.

"Quando o pai entra no domínio de uma relação mais próxima com os filhos, que não seja a brincadeira, mas no que toca aos cuidados a prestar, como ir ao médico ou ir à escola e ver como é que está o andamento escolar dos filhos, verifica-se que estas tarefas são ainda maioritariamente ocupadas pelas mães", afirma.

Piedade Lalanda esclarece ainda que, confrontados entre escolher ausentar-se para ir à escola ou ter que trabalhar, provavelmente, muitos pais recusam faltar ao emprego e deixam a mulher a tratar desses assuntos.

Assim sendo, esta delegação da competência dos cuidados na mulher faz do pai uma figura ainda ausente, em relação a certos aspecto da vida dos filhos.

No entanto, "já se começa a constatar algumas modificações em relação aos pais ditos mais tradicionais e mais fechados sob o modelo de pai como sustento da família. É facto que isto tem vindo a mudar, mas ainda não é uma maioria", revela a especialista.

Hoje já é possível observar pais que não se deixam conduzir pelo velho estereótipo machista e que fazem questão de acompanhar os filhos desde a gestação, participando no seu desenvolvimento de forma muita activa.

A socióloga refere mesmo, que os pais devem acompanhar e partilhar a experiência da gravidez da mulher, pois "é um momento importante para construir a paternidade".

Contudo, a mudança da mentalidade não é vista em todos os pais... Provavelmente, só nos mais jovens que reconhecem a importância da proximidade com os filhos.

Desta forma, a sociedade está ainda a passar por um processo de desenvolvimento, em relação à entrada do homem no mundo íntimo da família.

A divisão das tarefas nos jovens já se vê, mas "socialmente ainda existe uma certa rejeição de que os homens têm perfil para cuidar das mulheres, dos idosos, das crianças, ou seja, do mundo da família", afirma Piedade Lalanda.

Contudo, hoje em dia, já ninguém contesta a importância da proximidade física e afectiva dos pais. "A ternura, o afecto e o carinho não têm rosto nem sexo, portanto, são atitudes de homens e mulheres", reivindica a especialista. Para a socióloga, o pai não deve ficar apenas associado à figura do castigo, mas também àquele que ajuda e apoia. Neste sentido, "o pai próximo é o pai que ocupa espaço na relação e no diálogo não para se impor, mas sim para partilhar."

"A paternidade é uma dimensão fundamental da relação humana e para a construção de um ser humano. Portanto, devemos olhar para esta data como uma oportunidade para analisar e reflectir sobre o tema do Pai", conclui Piedade Lalanda.

Rita Sousa / Teresa Franco / Rui Jorge Cabral

Fonte: http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/181716

DIA DO PAI

.::: Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai. (Sigmund Freud) :::.
http://www.youtube.com/watch?v=KBg-R0ifjcY

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pais modernos

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Obama e a parentalidade (nos EUA)



Obama neste discurso fala sobre a necessidade de responsabilização dos pais homens nos EUA.
Num dos comentários ao vídeo parece-nos relevante salientar este:

"I will say it over and over I know my children are victims of PAS and what few realize is that is a result of HOSTILE AGRESSIVE PARENTING (HAP)."


Obama fala sobre a sua condição de pai:

quarta-feira, 19 de março de 2008

"Pai provedor deu lugar a uma figura afectiva"

"Pai provedor deu lugar a uma figura afectiva"


CARLA AGUIAR
entrevista: Bernardo Coelho, sociólogo

O que é ser pai hoje em comparação com o que era há 20 anos?

Há uma diferença marcada nos últimos anos, sobretudo a partir de finais dos anos 90. A ideia tradicional do "pai provedor" da família, em termos materiais, e do "pai autoritário", que impõe a disciplina, deu lugar a um "pai afectivo". Nota-se uma necessidade de investimento no estabelecimento de ligações afectivas com os filhos. Esta transformação também está, obviamente, relacionada com uma transformação do que é ser homem na família.

Como e porque acontecem estas alterações?

Há uma reconfiguração dos papéis do género. Á medida que as mulheres ascendem profissionalmente, o homem teve de se adaptar. Ele deixa de ser o garante exclusivo da estabilidade económica da família e sente a necessidade e ao mesmo tempo a possibilidade de abrir-se no campo emocional, algo que foi recalcado durante muito tempo. As mudanças na paternidade não são dissociáveis da mudanças sobre o que é ser mulher.

Este novo papel é mais gratificante para os pais ou, pelo contrário, gera tensões?

Há uma descoberta do que é ser pai, que exige uma aprendizagem forte. Este novo investimento implica, por outro lado, uma gestão sobre o próprio significado da masculinidade. É um processo interminável.

A paternidade acontece também cada vez mais tarde. Que efeitos isso tem na forma de exercer a paternidade?

Por um lado, há logo uma consequência demográfica. Quanto mais tarde se é pai, tem-se, em princípio, menos filhos. Hoje a paternidade é também relativamente mais planeada e programada. Há condições materiais objectivas que podem condicionar esse adiamento, como a precariedade no trabalho e a falta de estabilidade económica. Mas, num plano subjectivo, também se nota uma tendência para as pessoas querem viver mais intensamente os seus percursos de descoberta e de experiências que ou só podem ser feitas individualmente ou a dois. E isso traduz-se inevitavelmente num adiamento da paternidade. Por outro lado, num casal - sobretudo quando há um investimento forte nas carreira dos dois lados - os tempos para a paternidade nem sempre coincidem.

Há vantagens ou desvantagens desse adiamento?

Se é mais planeada e consciente pode ter aspectos positivos, no sentido em que quando se escolhe ser pai existirá uma estabilidade emocional e económica que pode facilitar as coisas. Mas é difícil identificar vantagens e desvantagens. Há pessoas que têm projectos individuais que são mais longos e que, por isso, precisam de mais tempo.

Hoje sabe-se mais, nomeadamente pelo contributo da psicologia, sobre as responsabilidades dos pais, através da educação e do exemplo, sobre a saúde mental dos filhos e as suas possibilidades de sucesso. Até que ponto esta informação, que há 30 anos não existia, pode gerar um sentido de maior responsabilidade e ansiedade nos pais?

Há uma grande dose de informação disponível. E é engraçado que quando se sabe que se vai ser pai, é como se desfiasse um filme, em que se vão, desde logo, traçando expectativas para os filhos, mesmo num futuro longínquo. As preocupações existem e crescem à medida que se tem mais informação. |

Fonte: http://dn.sapo.pt/2008/03/19/centrais/pai_provedor_lugar_a_figura_afectiva.html

Dia do Pai vive-se no dia do pai afectivo e não biológico


19 | 03 | 2008 08.57H

São José tinha muita pinta, e às vezes parece que certa Igreja se esquece do que representa simbolicamente a Sagrada Família: uma mãe adolescente, com a coragem de enfrentar a gravidez, e a educação de um filho, contra toda a má língua da vizinhança, baseada apenas na sua imensa Fé; Deus, um pai «biológico», que confia a guarda de Maria e do seu filho Jesus a um pai adoptivo. E José Carpinteiro, que assume o papel de verdadeiro pai até ao fim. 2008 anos depois, não pode ser por acaso (mas, talvez passe mais por um desígnio celeste) que se celebra o Dia do Pai, no dia que o calendário religioso atribui a S. José. Ou seja, para todos os efeitos, no dia do pai afectivo.
Sinceramente acho fascinante ler a história por este ângulo, que me enche de orgulho, porque nela está contida uma mensagem revolucionária, que deveria fazer abanar as ideias feitas e os preconceitos de tanta gente que continua presa à ilusão de que apenas o sangue ou os genes contam. A quantidade de sofrimento que poderia ter sido evitado, e pode vir a sê-lo, se entendermos a magia deste «clã», que tem sido tantas vezes venenosamente utilizado para pregar a intolerância.

Mas é «lição» de mais coisas. É lição da importância imensa que é dada ao pai, não ao pai autoritário, mas aquele que vira a sua rotina do avesso para proteger um filho (foge com Jesus para o Egipto), que se dedica a sustentá-lo e a educá-lo, e não menos importante, a ser o braço direito da mãe, em quem confia incondicionalmente (caramba, afinal Maria «apareceu» grávida de outro!), aceitando dividir com ela uma missão quase impossível.

Por isso aqui fica a minha sugestão: pendurem a imagem de S. José nos tribunais. Talvez assim se inverta a tendência para em 94% dos casos atribuir o poder paternal à mãe, abrindo a porta à exclusão do pai da vida dos seus filhos. Para não falar na ajuda que dava quando o que está em causa é a opção entre um pai só biológico, e um adoptivo que se dispõe a amar, mesmo que esteja ainda numa lista de espera.

Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Fonte: http://www.destak.pt/artigos.php?art=9158